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domingo, novembro 27, 2011

UFC: Ultraje Feroz do Corpo


Dois homens em uma arena chutam cabeças e esmurram fígados, e isso rende o delírio da galera. Um quer a deformação do corpo do outro, e isso rende fama e fortuna. UFC (Ultimate Fighting Championship) quer dizer mesmo é Ultraje Feroz do Corpo. Mas para que ninguém fique a pensar na degradação física e espiritual do momento, é preciso fazer dessa rinha de galos um espetáculo televisivo. A TV Globo, que se recusava a cobrir as lutas do MMA (as artes marciais mistas), gasta sua semana esportiva explicando que agora, com novas regras, as lutas são “um pouco menos violentas do que o vale-tudo”, como disse o apresentador Luís Ernesto Lacombe. A sinceridade foi logo corrigida na fala seguinte: “Mas é bem bacana.”

É bem bacana, então, ver a brutalidade elevada à categoria de esporte “civilizado”. É bem bacana, então, assistir a violência de socos, pontapés e sufocamentos. É bacana ver o público se extasiar quando um homem é espancado no chão (mas agora o juiz intervém mais rápido. Antes que um assassine o outro ao vivo e em HD, né?).

(A Globo escalou Galvão Bueno para narrar o combate. Quem assistir, ouvirá um “É teeeeee... trico?!”. Os fãs do UFC não queriam o Galvão de locutor das lutas. Mas o que eles queriam? Galvão de calção e Anderson Silva na narração?)

As lutas de vale-tudo eram só um pouco piores do que as do UFC. Só paravam quando um dos lutadores estava desfigurado. No UFC, ao que parece, há que se ter não só a destreza e o domínio de artes marciais conjugadas, mas também estratégia e inteligência para vencer o combate.

No entanto, assim como a filosofia espiritual que cerca a tradição das artes marciais orientais foi banida dos filmes de “kung-fu”, nas lutas do MMA também não restou um traço da espiritualidade de antigos guerreiros. Sobram apenas chutes no rosto e cheiro de sangue.

Homero descreveu assim o feroz e mítico combate entre Epêo e Euríalo: “Rangem as mandíbulas ao receberem os golpes [...] e o divino Epêo, lançando-se sobre o adversário, aplica-lhe tão tremendo golpe, que Euríalo cai inerme, vomitando negros coágulos de sangue”. Os nomes gregos saíram, mas os apelidos conservam o apelo mitológico: Minotauro, Cigano, Spider, The Beast. Mas outros chamam a fúria pelo nome: Demolition Man e African Assassin, que dispensam traduções.

O UFC está de acordo com as regras de entretenimento de uma civilização doente. É a nossa civilização que produz filmes que consagram a velocidade e a ferocidade, filmes feitos com muita adrenalina e pouco neurônio, filmes que glorificam machões que falam uma piadinha após decepar outros machões.

Espetáculo da meia-noite, o Ultraje Feroz do Corpo aplaca nossa primitiva sede de sangue por alguns minutos. Depois, cada um faz suas orações e vai dormir.

sábado, novembro 26, 2011

Ser gay é pecado?

Em seu programa de tevê e nos cultos, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, um dos maiores porta-vozes do conservadorismo religioso no País, costuma repetir a ladainha: “Homossexualidade na Bíblia é pecado. Pode tentar, forçar, mas é pecado.” Mas será mesmo pecado ser gay? Não, contestam, baseados na interpretação da mesma Bíblia, sacerdotes cristãos, tanto católicos quanto evangélicos. Para eles, a mensagem de Jesus era de inclusão: se fosse hoje que viesse à Terra, o filho de Deus teria recebido os homossexuais de braços abertos. “Orientação sexual não é o que vai definir a nossa salvação”, afirma o bispo primaz da Igreja Anglicana no Brasil, dom Maurício Andrade. “É muito provável que as pessoas homoafetivas fossem acolhidas por Jesus. O Evangelho que ele pregou foi de contracultura e inclusão dos marginalizados”, opina. Segundo o bispo, ao mesmo tempo que não há nenhuma menção à homossexualidade no Novo Testamento, há várias passagens que demonstram a pregação de Jesus pela inclusão. Não só o conhecido “quem nunca pecou que atire a primeira pedra” à adúltera Maria Madalena. [...]

“Jesus inaugura o momento da Graça, os Evangelhos atualizam vários trechos do Velho Testamento. Ou alguém pode imaginar apedrejar pessoas hoje em dia?”, questiona dom Maurício, para quem a interpretação da Bíblia deve se basear no tripé tradição, razão e experiência cotidiana. “Quem interpreta que a Bíblia condena a homoafetividade está sendo literalista. Cada texto bíblico está inserido num contexto político, histórico e cultural, não pode ser transportado automaticamente para os dias de hoje. Além disso, a Igreja tem de dar resposta aos anseios da sociedade, senão estaremos falando com nós mesmos.” [E quando a Bíblia condena o adultério, a fofoca, as bebedeiras, etc.? Quem prega contra essas coisas também está sendo “literalista”?] [...]

Com o reconhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça, em 25 de outubro, da união civil de duas lésbicas, é possível que a intolerância religiosa contra os homossexuais volte a se acirrar. No Twitter, Malafaia atiçava os seguidores a enviar e-mails aos juízes do Tribunal pedindo a rejeição do recurso. Em vão: a união entre as duas mulheres gaúchas, juntas há cinco anos, ganhou por 4 votos a 1.

A partir da primeira decisão do STF, foi criada, informalmente até agora, uma frente religiosa pela diversidade sexual, que reúne integrantes de diversas igrejas: batistas, metodistas, anglicanos, luteranos, presbiterianos, católicos e pentecostais. Coordenador do grupo, o metodista Anivaldo Padilha (pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha) diz que a homossexualidade é hoje um dos temas que mais dividem as igrejas, tanto evangélicas quanto católicas. “Quem alimenta o preconceito são as lideranças. Os fiéis manifestam dificuldade em obter respostas, porque no convívio com amigos, colegas ou mesmo parentes que sejam homossexuais não veem diferença.” [...]

“A Bíblia, infelizmente, tem sido usada para defender quaisquer posicionamentos, desde a escravidão (sobram textos que legitimam a escravatura) ao genocídio”, opina o pastor Ricardo Gondim, da Igreja Betesda de São Paulo, protestante. [Aqui Gondim comete um grave equívoco. A Bíblia não recomenda a escravidão, apenas a tolera como costume. Assim como, ao relatar o fato de que alguns patriarcas consumiram bebidas alcoólicas e praticaram a poligamia, não está, com isso, autorizando essas práticas. No caso dos genocídios, é preciso analisar o contexto.] “Como o sexo é uma pulsão fundamental da existência, o controle sobre essa pulsão mantém um fascínio enorme sobre quem procura preservar o poder. Assim, o celibato católico e a rígida norma puritana não passam de mecanismos de controle. O uso casuístico das Escrituras na defesa de posturas consideradas conservadoras ou ‘ortodoxas’ não passam, como dizia Michel Foucault, de instrumentos de dominação.” [Gondim erra mais uma vez. Misturar celibato católico com o homossexualismo é o cúmulo da distorção bíblica e histórica.]

“Um teólogo que eu admiro muito, Carlos Mesters, costuma dizer que a Bíblia é uma flor sem defesa. Dependendo da mão e da intencionalidade de quem a usa, a posição mais castradora ou a mais libertadora pode ser defendida usando-a”, concorda a pastora Odja Barros, presidente da Aliança de Batistas do Brasil, espécie de dissidência da Igreja Batista que aceita homossexuais entre seus integrantes – são seis igrejas no País. [Barros está correta, embora tenha abraçado a visão “libertadora”, claro. O ideal é permitir que a Bíblia se interprete a si mesma, deixando de lado motivações e interesses dos leitores.] [...]

Um dos pontos principais para a compreensão da questão à luz da Bíblia, de acordo com Odja Barros, é desconstruir as leituras mais hegemônicas, patriarcais, que afetam a vida não só dos gays, como das mulheres. Há trechos, por exemplo, que justificam a submissão e a violência contra a mulher. A própria Odja só se tornou pastora graças a essa releitura. [Outro erro. Mais uma vez é preciso ressaltar o fato de que a Bíblia descreve a cultura em que foi redigida e, em nome da aceitação da mensagem sem grandes impedimentos, em alguns casos, tolera essa cultura. Do ponto de vista divino – e isso é claro na Bíblia –, homem e mulher foram criados iguais e detêm a mesma dignidade. Paulo recomenda a mútua submissão, ao passo que as feministas gostam de ressaltar apenas o texto em que ele recomenda à mulher ser submissa ao esposo.] [...]

“Além disso, hoje temos conhecimento de uma gama impressionante de comportamentos sexuais entre os animais, o que inclui homossexualidade e hermafroditismo”, defende o padre católico [homossexual] James Alison, britânico radicado em São Paulo. [Opa! Os animais também praticam canibalismo, suicídio coletivo e mantêm outros comportamentos “bárbaros”, certamente derivados da degeneração pós-pecado. Vamos nos nivelar aos irracionais, então? Serão eles nosso referencial de conduta? Isso é o que dá abraçar a filosofia darwinista...] [...]

Para o padre, a falta de discussão no catolicismo sobre a homossexualidade “emburreceu” as pessoas para o debate em torno da pedofilia, que tanto tem causado danos à imagem da Igreja nos últimos anos. Daí a reação lenta diante das denúncias. E também se tornou um obstáculo à evangelização. [Se o negócio é relativizar, por que condenar a pedofilia? Há pessoas que a defendem como forma de afetividade “normal”. E agora? E o incesto? Por que seria errado? A Bíblia o condena, certo, mas essa condenação não viria também de uma leitura “literal” dela? Além disso, animais praticam “pedofilia” e incesto...]

(Cynara Menezes, Carta Capital)

Nota: O que alguns líderes religiosos liberais parecem não perceber é que Jesus acolhia o pecador a fim de que este tivesse a vida transformada. Para a mulher apanhada em adultério – que Jesus perdoou incondicionalmente –, Ele disse: “Vá e não peques mais.” Jesus ama e abraça o pecador, mas odeia e rechaça o pecado, pois o pecado destrói o ser humano e desfigura a imagem de Deus nele. Respondendo à pergunta do artigo acima (Ser gay é pecado?): não, ser gay não é pecado, tanto quanto ser humano (com sua natureza pecaminosa) não é pecado. Pecado é dar rédeas soltas a essa natureza. Pecado é viver “na carne”, como diz a Bíblia. Ser gay (ter tendências homossexuais), portanto, não é pecado; manter um estilo de vida homossexual, isso, sim, segundo a Bíblia, é pecado. Líderes religiosos liberais podem tentar amenizar o discurso para parecerem politicamente corretos, mas, se forem fieis à Palavra de Deus, deverão admitir que manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo (assim como praticar sexo fora e antes do casamento) é considerado pecado por Aquele que inspirou a redação das Escrituras. Deus criou um homem e uma mulher para, no contexto matrimonial, desfrutarem do sexo numa relação de amor e compromisso. Biblicamente falando, é isso. Mas esse mesmo Deus concede liberdade para cada um viver como bem entende – em pecado ou não.[MB]

Leia também: "Gays nascem gays?"

quinta-feira, julho 15, 2010

Leandro Quadros na RIT - debate sobre a imortalidade da alma

Adventista Vence Debate na TV RIT
Autor: Prof. Gilson Medeiros


No dia (12-05-09), no programa "Vejam Só" do canal RIT TV (da Igreja da Graça), o jornalista Leandro Quadros (da TV Novo Tempo) deu um "show" de conhecimento bíblico. O tema era a "imortalidade da alma".

De um lado estava o Leandro, defendendo o estado insconsciente dos mortos, e a imortalidade apenas após a vinda de Jesus.

Do outro lado estava um professor doutor da Universidade Presbiteriana, que defendia que os mortos em Cristo já estão em um "estado intermediário", perto de Deus. O mediador, o Pr. Teixeira (apresentador do programa) também defendia as ideias do prof. presbiteriano (afinal, este é o pensamento corrente entre os cristãos de hoje). Portanto, era 2x1.

O Leandro usou a Bíblia abundantemente, demonstrando um total controle do tema e um profundo conhecimento da Palavra de Deus, sempre citando versos e mais versos em confirmação à crença Adventista.

Já o prof. presbiteriano se apoiava quase que exclusivamente na filosofia, citando pessoas como Agostinho e Calvino, e "esquecendo" de citar a Bíblia. Ele usava expressões genéricas do tipo: "em diversas passagens", "em inúmeros textos", etc., mas não abria a Bíblia para apresentar a base de sua argumentação.

Todos os textos que são interpretados equivocadamente pelos que crêem no estado consciente dos mortos (no "seio de Abraão", como o programa defendia), foram paulatina e claramente explicados pelo irmão Leandro, esclarecendo que a Bíblia NUNCA defende que os mortos já estão no céu ou no inferno... ou em alguma espécie de "limbo" intermediário.

Textos como a parábola do rico e Lázaro, a conversa de Jesus com o ladrão na cruz, as "almas" debaixo do altar em Apocalipse, os ressuscitados por ocasião da morte de Jesus, a declaração de Paulo sobre "partir e estar com Cristo", entre outros, foram sabiamente explicados segundo o contexto bíblico.

Ao final de sua apresentação, o Leandro colocou a "última pá de cal" sobre a frágil argumentação dos outros 2 participantes, quando apresentou o livro do Dr. Oscar Cullman, um dos mais renomados estudiodos do Novo Testamento, o qual apresenta que a doutrina da imortalidade da alma NÃO se harmoniza com o ensinamento do Novo Testamento, sendo mais uma "herança" da filosofia grega de Platão. Detalhe: o Dr. Cullman NUNCA foi Adventista do 7º Dia, aliás, ele morreu na fé da igreja Luterana.

Ficou evidente o constrangimento do egrégio prof. doutor e do apresentador do programa, que não tiveram como esboçar nenhuma reação face ao depoimento de alguém tão respeitado e que não fazia parte da Igreja Adventista. Ou seja, jogou por terra o lenga-lenga de que os Adventistas "inventam" suas "heresias"...rsrs

É uma pena que debates como estes não surtam grandes resultados, pois vemos que as pessoas não estão muito interessadas em abandonarem suas convicções equivocadas e aceitarem a Verdade Bíblica, como as "considerações finais" do prof. presbiteriano demonstraram.

Entretanto, esperamos em Deus que a convicção de fé e a sólida fundamentação bíblica que o irmão Leandro apresentou, tenham servido para alguns espectadores sinceros verem que suas doutrinas podem não se sustentarem somente pela Bíblia, e passem a estudar melhor a Palavra de Deus, sem se limitarem, muitas vezes, a apenas repetirem o que outros já lhe disseram no passado.

"antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1Ped. 3:15).

Não é à toa que os Adventistas são o "povo da Bíblia"... Aleluia!




Para quem perdeu na tv, Paulo Geovane da Central de Diretores e Ministerio Jovem.com gravou e disponibilizou para nós.


Baixe o original: 55.9 Mb




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